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Missionárias de Maria
XAVERIANAS

Ressurreição: Tempo de esperançar

Tea Frigerio
388
19 Abril 2025

A liturgia nos convida a ler João 20,1-10, mas eu te convido a ler até o versículo 18.

Leia devagar e torne presentes os personagens: Maria Madalena, o Discípulo Amado, Pedro.
Continue visualizando os personagens onde os encontramos na narrativa: no caminho, no jardim, no sepulcro.
Maria Madalena, na escuridão, vai ao sepulcro, vê a pedra removida, volta, comunica sua angústia...
Simão Pedro corre ao sepulcro, chega, entra, vê... O Discípulo Amado corre e chega primeiro, espera Pedro, entra, vê, crê... Voltam juntos, mas transformados...
Maria Madalena permanece... chora... busca... entra no sepulcro... procura um corpo morto... uma voz, um nome: “Maria!”... “Rabuni!”... “Não me detenhas...” “Vai dizer aos meus irmãos...”
Ela correu a proclamar: “Vi o Senhor!”

Hoje, com qual desses personagens você se identifica?
Pare... Reflita... Pergunte-se: o que significa para mim a Ressurreição? Como eu anunciaria hoje o Ressuscitado?

A Igreja nascente se fundamenta na experiência que Maria e os outros discípulos viveram: o mesmo Jesus que os chamou à beira do lago, nos caminhos da Galileia, com quem viveram e a quem seguiram, após sua morte, volta a encontrá-los para torná-los participantes de sua vida nova e, assim, ao torná-los parte de seu corpo ressuscitado, os envia.

Em que consiste esse encontro com o Ressuscitado?
Nos relatos das aparições, esse encontro é descrito como um processo que parte de uma situação de dor, de desespero pela morte cruel do Mestre, ou da busca por seu corpo morto, até a proclamação de que Ele está vivo.
É o caso das mulheres que vão ao sepulcro em Mateus, do casal de Emaús em Lucas, de Maria em João.
Os evangelhos narram o encontro do Senhor com seus discípulos segundo um itinerário que permanece como modelo para cada encontro.

Esse itinerário não consiste na revelação de algo que é dito, mas no reconhecimento progressivo de uma pessoa.
O itinerário é descrito como uma experiência sensível que se transforma em uma convicção espiritual.
O primeiro contato se dá com ações como tocar, ver, caminhar, comer juntos... que depois levam ao reconhecimento da identidade d’Aquele que está presente.
Esse reconhecimento se realiza, em Emaús, no momento em que o Senhor desaparece.
A alegria do casal é total depois da partida do Senhor, uma alegria que os impulsiona a voltar a Jerusalém e anunciar: “Vimos o Senhor!” (Lc 24,52-53).

Nesse processo, movido pelo Espírito, brota a fé da comunidade primitiva na Ressurreição.
Uma fé que se converte em alegria, em anúncio da Boa Nova, em compromisso até entregar a vida como o Mestre, Jesus.
O encontro com Jesus Ressuscitado não é, obviamente, um encontro “face a face”, mas uma experiência de amor entre duas pessoas: uma relação dinâmica e vital.

Voltemos o olhar à experiência de Maria Madalena, ao seu itinerário: o choro, a busca, a dor que a cega, o ouvido que se abre a uma voz, à inabitação, ao reconhecimento.
Maria não se dirige ao Senhor porque o viu, mas porque escutou seu nome pronunciado por Ele.
Mais uma vez, o encontro se apresenta como uma relação de amor: um amor que leva ao reconhecimento de Jesus por parte de Maria, e essa nova união entre eles se transforma em missão: “Vai dizer aos meus irmãos...” (Jo 20,17b).

Quem é o Cristo que sai ao encontro de seus amigos a caminho?
É fundamental para nossa fé perceber que o Ressuscitado se apresenta com as marcas de sua paixão, agora transformadas pelo amor.
Sim, é o mesmo que nasceu na manjedoura de Belém, que anunciou o amor do Pai aos pequenos com suas obras e palavras, que por fidelidade a Deus, aos últimos e a nós, morreu injustamente numa cruz.
Ele é o Ressuscitado que se deixa “ver” pelos seus (Jo 20,24-28).

Por isso, é necessário viver a experiência do encontro com o Ressuscitado.
Precisamos encontrá-lo, percorrer a experiência dos primeiros cristãos.
Isso é possível porque, quando dizemos que Cristo ressuscitou, estamos falando de Alguém vivo, presente, real, ativo em nossa história e em nossa vida, e portanto, acessível à nossa experiência.
A experiência nos ajuda a penetrar e nos revela que o Deus de Jesus é um Deus de vida e de ação: a ressurreição é esse ato criativo e salvador de Deus, que não deixa na morte o justo que revelou seu amor misericordioso.

É abrir os olhos, “dar à luz” na realidade a presença ativa de Deus, que move a história e sempre abre um caminho de esperança.
É o anúncio de que a humanidade, em sua liberdade, é um processo sempre aberto à novidade de uma história que se abre sem fronteiras.

Nos relatos pascais percebemos como o Ressuscitado se dá a conhecer:
“Então os olhos deles se abriram” (Lc 24,31),
“Jesus veio e pôs-se no meio deles” (Jo 20,19),
“abriu-lhes o entendimento para compreenderem as Escrituras” (Lc 24,46).

Tratou-se, sem dúvida, de um processo comunitário de Ressurreição, no qual os discípulos de Jesus descobrem que a novidade da Ressurreição de seu Mestre se realiza numa continuidade enriquecida por uma nova diferença.
Continua, mas ao mesmo tempo é tão diferente que muda a história.
Jesus, vivo, ressuscitado, não se afasta da realidade, mas está presente nela, presente de uma forma nova.

Portanto, a ressurreição não significa que Jesus perdeu contato com a história, ou que ficou fora da comunidade.
Ao contrário, toda a atenção se centra em sua presença renovada, avivando a fé, chamando à missão e sustentando a esperança em direção ao futuro.

Leonardo Boff afirma de forma poética:
“Com a ressurreição, aquilo que o mundo antigo não conhecia entrou na história da consciência humana: o sorriso da esperança.”

Crer no Ressuscitado é assumir seu seguimento, sentir-se chamado por Ele a seguir seus passos.
Crer no Ressuscitado é entrar na dinâmica viva do Reino que Ele inaugurou, seguindo seus passos numa vida que, apesar de todas as cruzes, já goza da mesma esperança de ressurreição.

Com Dom Pedro Casaldáliga proclamamos:
“A esperança é a última que morre... se morrer, ressuscita.”
Somos do povo da Esperança: “esperança – esperançar”;
esperança ativa, comprometida, militante;
esperança obstinada e perseverante;
esperança alimentada por pequenos passos, não pelo “inédito possível”;
esperança em processo;
esperançar a caminho do Reino definitivo...