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Missionárias de Maria
XAVERIANAS

O cuidado com a Nossa Casa Comum

Rafael López, sx
92
05 Junho 2026

Dia 05 de junho é celebrado o Dia Mundial do Meio Ambiente, que tem como foco as mudanças climáticas. Neste sentido, o Papa Francisco, de feliz memória, deixou-nos, o legado da encíclica Laudato Si’, publicada em 24 de maio de 2015, sobre o cuidado da “Casa Comum”. Primeiro documento pontifício da Igreja inteiramente dedicado à crise ambiental e ao desenvolvimento sustentável. O Papa destaca a urgência de proteger a nossa casa comum, unindo “toda a família humana na busca de um desenvolvimento sustentável e integral” (LS 13). Inspirado em São Francisco de Assis, apresentado como modelo de relacionamento harmonioso com a natureza (LS 1), como expressa o Cântico das Criaturas.

O primeiro capítulo do Gênesis abre a Sagrada Escritura mostrando que tudo o que existe foi criado por Deus e que toda a criação é boa e perfeita. O texto bíblico repete diversas vezes: “E Deus viu que era bom” (Gn 1). A humanidade é o ponto alto da criação, criados à imagem e semelhança de Deus e integrados na natureza (Gn 1,26-31). Deus confia ao ser humano a missão de “dominar a terra e sujeitar os animais” (Gn 1,26), não se trata de dar autorização para exploração destrutiva, mas da responsabilidade de trabalhar, cultivar e cuidar da criação, participando da obra criadora de Deus (LS 232).

Deus colocou a humanidade no jardim “para o cultivar e guardar” (Gn 2,15). A criação é apresentada como um verdadeiro paraíso, destinado à vida plena. A condição para essa harmonia era caminhar com Deus, seguindo o projeto divino de fraternidade e cuidado da vida. Contudo, “nunca maltratámos e ferimos a nossa casa comum como nos últimos dois séculos. Mas somos chamados a tornar-nos os instrumentos de Deus Pai” (LS 53).

Entretanto, o homem e a mulher ao comerem da árvore do conhecimento do bem e do mal (Gn 3,1-24), a humanidade rompeu a harmonia original e passou a utilizar os bens da criação de maneira egoísta e destrutiva. O jardim foi dado para humanidade para ser usufruído com responsabilidade, dentro de uma ordem fundamentada na justiça, na solidariedade e no bem comum (Gn 2,17). A desobediência é o símbolo da instalação de um sistema destruidor, que rompe a fraternidade e gera morte, conflito e devastação.

A Igreja reconhece o dever e a necessidade de cuidar da casa comum, de proteger o homem e a mulher da destruição de si mesmo (LS 79). Nesse sentido, foram promovidas diversas Campanhas da Fraternidade voltadas à temática ecológica. A mais recente foi realizada em 2025, com o tema “Fraternidade e Ecologia Integral” e como lema “Deus viu que tudo era muito bom” (Gn 1,31), retomando os princípios éticos e teológicos da Encíclica Laudato Si’ e incentivando a conversão ecológica, porque “é muito nobre assumir o dever de cuidar da criação com pequenas ações diárias” (LS 211), promovendo uma educação capaz de transformar progressivamente os estilos de vida.

Como cristãos, somos chamados a cuidar e zelar pela nossa casa comum, protegendo a criação e cultivando uma relação harmoniosa com a natureza e com Deus, o Criador da vida, que fez tudo muito bom (cf. LS 64). Por isso, para combater as mudanças climáticas é necessário a diminuir o consumo; lutar por melhorias nas cidades que favoreçam o bem-estar, a saúde e o cuidado com o meio ambiente; promover a conscientização ecológica, como o efeito estufa e as mudanças climáticas; reduzir os gastos energéticos; plantar árvores em jardins, parques e áreas desmatadas; separar e reciclar o lixo... porque com pequenas práticas conseguiremos grandes transformações em favor da nossa casa comum.